Uma noite mágica com Florence + The Machine


 Florence é uma das artistas nas quais eu sempre tive um certo interesse sobre o trabalho; mas sempre adiava o dia em que eu realmente pararia para apreciá-lo. Sempre deixei para um outro momento. Isto talvez se dê porque eu sei que vou entrar totalmente no seu mundo artístico e ficar tempos admirando os conceitos, inspirações e fundamentos.
 Conhecia algumas coisas aleatoriamente sobre sua música, porém em um certo dia, saiu por aqui o anúncio da realização de dois shows nos territórios italianos para a How Blue Tour: Bolonha (no dia 13 de abril) e Turim (no dia 14). Aqui estava uma ótima oportunidade para conhecê-la melhor! Então, comprei o ingresso para mim e meus amigos (a This e o Halley); logo outras amigas e amigos compraram o deles também.

Da esquerda à direita: a Rebecca, Jéssica, Jack, Roberta e Thís (em baixo).

 É engraçado comprar ingressos com muita antecedência porque tendemos a nos esquecer da data ao pensar que está mundo longe, não? Algumas vezes até pensei em vender o ingresso porque estava sem muitos ânimos.... De repente, o dia estava mais do que próximo; voltei a me animar e ainda bem que não o vendi!
 Horas antes do show, eu me reuni com algumas amigas para conversarmos, nos aquecermos ao escutar músicas da Florence e também para pintarmos os nossos rostos. As meninas colocaram coroas de flores, tiramos fotos e foi tudo muito divertido! Todas com um look místico e humanas!  E como estávamos na casa de uma delas; que mora perto do local onde aconteceu o espetáculo, fomos caminhando até lá.
 Não chegamos muito cedo e fomos para lá um tanto depois da abertura dos portões; pensei que estaria com filas enormes e que estivesse um caos mas felizmente entramos muito rápido (não deve ter demorado mais de 15 minutos!). O irônico é que não teve revista de mochilas e essas coisas. É tão estranho entrar em um evento assim, já que estamos acostumados com esses procedimentos chatos.


 Quando finalmente achamos um lugar legal na pista, a organização ajeitava os últimos detalhes dos instrumentos para a banda, os backing vocals e a própria Florence arrasarem por lá. O PalaAlpi Tour não é um estádio assim tão gigantesco e estávamos um tanto perto do palco. Os ladrilhos cromados –  ao fundo do palco – reluziam as luzes que; ora eram brancas, azuis, alaranjadas ou em tons amarelados.
 Entre as fumaças que traziam um clima etéreo ao local, Florence apareceu! Ela estava com um vestido longo e com transparências, pés descalços e toda misteriosa em sua simplicidade. O show começou com “What the Water Gave Me” do seu segundo álbum, “Cerimonials” (2011). Acredito que o interessante desta música como abertura é como possui uma grande variação entre uma atmosfera mais tensa em seu começo para trazer, em seu decorrer, a euforia e a agitação dos vocais em versos como “Lay me down, Let the only sound, Be the overflow.” (“Deite-me, deixe que o único som, seja o transbordamento”). A segunda música foi “Ship to Wreck”; do álbum mais recente –  o How Big, How Blue, How Beautiful – trazendo um alegre estímulo com os vocais e instrumentais.


 Algumas músicas do primeiro álbum também apareceram em seguida; como “Bird Song (Intro)” e “Rabbit Heart (Raise It Up)”. Eu também me lembro dela se abrir de cantar a música “Shake It Out” ao dizer que esta foi escrita como um modo dela “se livrar dos arrependimentos; das coisas que possam nos assombrar”; é uma música realmente libertadora! Além disto, também cantou a música “Sweet Nothing” mas sem a versão eletrônica do Calvin Harris, hehe. Foi um cover ao melhor jeitinho místico e celestial dela!


 Um dos momentos mais introspectivos dela foi ao cantar “How Big, How Blue, How Beautiful”. No momento em que os arranjos orquestrais e instrumentos de sopro tomam conta da música, em seu momento de mágica leveza, a Flô (para os íntimos, haha) trava uma luta consigo mesma: ela performa dando socos em si mesma como se estivesse brigando com alguém. Foi algo engraçado quando ela disse algo como “Ah! Vocês estão por aí? É difícil notá-los quando se está dando socos no seu próprio rosto!”. Sendo mais uma vez encantadora! <3


 A Florence possui uma energia de parco incrível! Ela tem uma grande leveza em sua voz; que por sinal, chegavam a parecer inocentemente infantil nos momentos de conversa com o público. Ao mesmo tempo, transmite grande efervescência ao correr de um lado ao outro – com os pés descalços – pelo o palco como se tudo fosse uma mágica floresta. Sempre com discursos sobre transmitir o amor às pessoas ao redor, Florence também incentivou ao público a dar abraços naqueles que estavam ao seu lado; em tocar o rosto deles e distribuir este bom sentimento a todos. Foram ótimos os momentos em que ela subia na grade; descia ou andava por fora do palco, para se conectar com os fãs e também quando pegou uma coroa de flores de um deles.


 Foi uma grande troca de energias! Por vários momentos, fiquei com um sorriso bobo ao admirar toda essa bondade que ela tem. Posso afirmar que foi um momento de renovação dos sentimentos para poder limpar a mente e a alma dos demais problemas. Uma noite, com a mais absoluta certeza, mágica! <3
(P.S.: As fotos desta postagem marcam a estreia da minha mais nova câmera <3).

(O setlist do show pode ser visto aqui

Espero que tenham gostado!

Até mais!

Retratos & aquarelas


 Olha quem apareceu! Uma tag, até então, que ficou por muito tempo com a promessa de voltar e nunca reaparecia. Mas tudo tem uma motivo: a criatividade é algo estranho e não tem data para aparecer. Desde o começo do blog e a primeira postagem do sketchbook, muitos desenhos apareceram; muita poesia também foi escrita mas muitas levaram muito tempo para surgirem na cabeça.
 As ilustrações, desta vez, marcam o período em que a inspiração (que demorou muito) me tomou conta durante o intercâmbio. Desde que vim para cá – já são quase 7 meses! – eu não tinha desenhado até fevereiro chegar; mas quando este mês e março chegaram, coincidentemente fiz algumas ilustrações de retratos.



 "Diedrich" é o nome da ilustração que marca este retorno criativo. A ilustração foi inspirada na Stephani – namorada do meu irmão – que por sinal ainda não a conheço e esta me inspirou por me passar boas energias artísticas. Pelos relatos do meu irmão, ele se diz preenchido tanto amorosamente quanto artisticamente com a sua presença e isto também me faz sentir inspirado. A versão original (vista acima) é apenas a aquarela que desenhei e abaixo é a versão finalizada com colagem digital (texturas encontradas no deviantart). A intenção foi passar um pouco do universo em que eu imagino que ela possa fazer parte artisticamente e poeticamente; trazendo serenidade, sinuosidade e até mesmo delicadezas. Talvez seja lado oposto do clima noir que se encontra a musicalidade do triphop ou do Portishead que tanto eu quanto ela gostamos!

"Diedrich"; colagem feita por mim em fevereiro.

 Seguindo a mesma técnica de mesclar aquarela e colagens, eu criei a ilustração que chamo de "GNCLVS". Esta é – mais uma vez – a representação de um amigo (o Matheus) que ainda só o conheço a distância – e foi feita durante uma noite de março. Já tinha imprimido há um certo tempo as texturas que utilizei mas ainda não sabia o que fazer com estas; então foi um ótimo momento de criar alguma composição!


 A mais recente é a "Birch"; colagem feita em homenagem à cantora Diane Birch e também ao lançamento independente do seu novo álbum NOUS. Birch é uma cantora da qual eu gosto muito desde aproximadamente 2010/2011; quando a conheci em comunidades do orkut. Ela é uma cantora de pop com grande influência de jazz e passa uma atmosfera muito serena em suas músicas. O novo álbum, com o nome de NOUS, transmite uma energia muito grande porque reflete o momento em que ela pode realmente criar o seu próprio trabalho sem grandes amarras comerciais. Então, nada mais merecido do que criar algo dedicado a ela!

A photo posted by Willian Salvario (@wsalvario) on

Aos poucos outros relatos possam aparecer conforme novas ideias me preenchem. Espero que gostem!

Até mais!

O sexto mês distante

Cogne: a primeira (pequena e bela) cidade que visitei.

 Mais um dia 9 chegou; passou e com este veio a contagem de mais um mês longe de casa. Agora, são 6 meses em Turim; 6 meses em um país diferente e com um turbilhão de experiências – tanto boas quanto algumas ruins – acumuladas na memória. A passagem do tempo é tão confusa e diferente quando se está vivendo distante; os meses voam; a vida corre tanto aqui e na querida terra de origem ao mesmo modo em que parece tudo apenas começou ontem.
 Os choques – sejam culturais, sociais ou linguísticos – aparecem constantemente. Desde o início eu tinha me proposto este desafio porque sair do constante estado de conforto é; muitas vezes, preciso para uma efetiva autoanálise. A saída do comodismo nunca foi tão forte; nunca foi tão rápida ou brusca como tem sido em muitos momentos.

Um risotto al pesto um pouco adaptado por mim.

 Redescobri em mim coisas que há muito tempo não pratica apenas pela praticidade ao meu redor: a culinária; por exemplo, virou um grande interesse. Confesso que deveria ter me focado nisto antes porque minha mãe é confeiteira (além de trabalhar com outras áreas da panificação) e sempre tive à disposição alguém para me auxiliar mas obviamente era mais oportuno somente apreciar o resultado final. Por outro lado, a distância me fez pegar o gosto por pesquisar mais sobre diversas receitas, me interessar pelo valor nutricional daquilo que eu como e me pego muitas vezes lendo sobre isto nos horários mais inusitados!

O Café des 2 Moulins e Amélie.

A pequena cidade de Fenestrelle e minha primeira neve.

 Por aqui, dependo apenas de mim. Por aqui, preciso saber lidar com o novo e aproveitar o momento apesar da ausência de quem esteve sempre junto para poder fazê-lo com as novas presenças. O percurso – por mim mesmo – me traz sempre boas lembranças. Parte da minha viagem a Paris, em outubro, com o percurso pelo bairro de Montmartre e a famosa Rua Lepic (onde tem o "café da Amélie" ou o "Café des 2 Moulins") foi feito sozinho porque meu grande amigo Guto teve de ir embora antes de mim. Não falo francês; mas me virei. Estava sozinho; mas aproveitei intensamente e a descoberta foi ainda mais intensa.
 Com as novas amizades, a descoberta foi de algo muito esperado e igualmente atrasado em suas previsões meteorológicas: a neve! Esta veio um tanto tarde – quase no fim do inverno – mas conseguimos conhecê-la. A pequena, porém calorosamente querida, cidade de Fenestrelle teve uma tarde animada por nós em contraste com todo este gelo. Sobre viagens, a minha primeira foi para Cogne e fica nas regiões de fronteira entre França e Suíça (com direito a um diferente sotaque afrancesadamente italiano).

Gelateria Monginevro, La Romana e La Voglia Matta <3

 Não poderia deixar de lado uma das maiores famas da Itália. Conhecer cada uma das gelaterias é uma atividade quase nada prazerosa! O primeiro e grande gelato que comi foi na falecida Monginevro (mas infelizmente fechou); outra muito famosa é a La Romana; mas o meu coração tem um enorme espaço para apenas uma: La Voglia Matta (ou "a vontade louca" em português); com gelatos gigantes por apenas 2 euros – tendo o simpaticíssimo Giovanni como dono – não tem como não amar. Também, se fosse para recomendar a alguém alguns sabores, diria a combinação de tiramisù (parece um bolo!), café ou chocolate e nutella (este último ele o coloca na hora!).

O meu canto em Turim.

 Apesar das ótimas vivências, a vida acadêmica não tem sido nada como o esperado. É impossível vir sem ter criado certas expectativas – mesmo tendo tentado não criar muitas – e me encontrar confuso ou incompreendido é um tanto desanimador. Ainda não consegui compreender corretamente o jeito de desenvolver o projeto de design aos moldes italianos; também ainda não tive a oportunidade de ter contato com bons professores ou compreensíveis com os estrangeiros. De qualquer modo, pode ser que o método não conflituoso àqueles que são de fora mas funcione muito bem a eles. Não sei dizer ainda. Mas tudo serve como auxílio para enxergar os esforços e o quão boa em design é a minha universidade de origem.
 Entre as oscilações que se baseiam esta grande montanha-russa emocional que é um intercâmbio; eu me encontro e preciso reunir minhas forças e otimismos porque o novo semestre acadêmico está apenas começando.

Até mais!

Studio65 & o Design Radical


 Em dezembro tive o prazer de presenciar esta mostra na Galleria d'Arte Moderna (GAM) de Turim e no mesmo dia e local também vi a exposição das obras de Monet. A mostra do Studio65 se chama "Il Mercante di Nuvole" ou "O Mercador de Nuvens" e o nome já demonstra um pouco da irreverência deste estúdio de design e arquitetura turinense – e também de um movimento – nascido em 1965.
 A exposição celebra os 50 anos de atividades do Studio65, um dos protagonistas do Pop Design italiano – ou também Design Radical – possuindo o objetivo de combater o forte conformismo perante à estética proposta pelo modernismo com novas ideias criativas. Um coletivo de arquitetos; que contava com Roberta Garosci, Enzo Bertone, Paolo Morello e Paolo Rondelli, se reúnem com Franco Audrito (também estudante e pintor) para formar uma armada em sua mansarda* (uma espécie de cômodo de casa situado numa abertura do telhado com parede inclinada e teto baixo) em Turim, situada no Corso Vittorio Emanuele 84.

L'Arca (1993)

 Em uma noite de primavera, desenham aquilo que seria a marca* do grupo; possuindo sempre a ironia em sua linguagem: o nome Studio65 escrito com uma tipografia que se remetia àquela da máquina de escrever e os quais a distribuição era frequente em frente às fábricas da época (lembrando que Turim foi famosa naquela período devido ao desenvolvimento industrial). A composição tipográfica era um tanto desconexa porque o número 65 era desenvolvido sendo metade em letras e a sua outra metade em numerais ("sessanta5") e começando um novo parágrafo depois do s duplo ("sess=anta5").
 A marca é uma declaração de guerra em relação à consolidada estrutura de linguagem de modo elitista e com o objetivo de desmascarar os valores ideológicos e propor a experimentação de novos meios de expressão linguística com a capacidade de representar o desejo por renovações e mudanças que se encontrava na juventude dos anos 60.


 O Anti-Design e o Design Radical marcam a transição do modernismo rumo à pós-modernidade. O modernismo trazia consigo a noção da racionalidade, universidade, padronização produtiva e também a utilização de paleta de cores sóbrias (como o preto, cinza e branco); por outro lado, o Anti-Design não se focava na funcionalidade e nem mesmo ao apelo comercial e abraçava de vez a efemeridade da Pop Art (a linguagem da comunicação de massa) para se apegar à ornamentação e também à decoração.
 A estética desenvolvida obtinha ênfase no uso de materiais, cores, proporções exageradas e texturas diferenciadas; resultando em peças “caricatas”, absurdas e de grande incoerência por parte da crítica da época. Neste movimento não existe a admiração em relação aos materiais na sua forma pura ou das características práticas – ao contrário – é atribuída a carga simbólica como símbolos visuais ao design. Um exemplo é a poltrona "Mickey", criada em 1972, da qual tem o conceito de trazer as histórias em quadrinhos para a vida cotidiana e também de ruptura ao poder doméstico.

Poltrona "Mickey" (1972).

 Tanto o Anti-Design quanto o Design Radical possuíam como proposta a revolução estética e sociocultural. Além disto, o Design radical questionava por que se manter com os antigos aspectos funcionais modernistas. O Anti-design não visava o mercado consumidor na elaboração dos seus projetos; mas se concentrava no estudo das possibilidades formais, buscando um novo jeito de se ver e experimentar o design com novas formas e texturas – a fim de trabalhar em função da sociedade para aprimorar o seu olhar  sobre o design; porém, o Design Radical visava diretamente à sociedade e propunha maneiras radicais (muitas vezes utópicas) para organização social e evolução cultural; ou seja, a reformulação das antigas maneiras de se fazer design mas que ainda mantivesse – de algum modo – a usabilidade do produto.

O Studio65 e a mostra "Il Mercante di Nuvole" na GAM Torino.

O Studio65 e a mostra "Il Mercante di Nuvole" na GAM Torino.

"Boccadoro" (2015).

 Uma das coisas mais interessantes desta mostra foi poder experimentar algumas das peças criadas pelo Studio65. Pude me sentar em várias poltronas! Além disto, contava com algumas salas mais interativas, com projeções de céu (e poltronas igualmente temáticas) ou projeções de guerra. Foi um dia um tanto divertido e agradável!
 Antes que me esqueça, e também àqueles que possam se interessar, um dos trabalhos que fiz na matéria de História do Design na universidade foi a criação de uma cartaz contando sobre o Anti-design. Caso queiram, podem conferi-lo no meu portfólio e também podem se aprofundar um pouco mais sobre o assunto com o artigo do blog da Universidade Ahembi que usei como referência.

Espero que tenham gostado.

Abraços!

[6 on 6] Roma


 Fevereiro chegou e com este um relato sobre o que aconteceu entre o fim do ano passado e o começo deste: um réveillon em Roma! Também, finalmente um 6 on 6 na data certa e juntamente de uma boa notícia porque hoje fiz o meu teste de italiano de fim de semestre. A querida professora Elena o corrigiu hoje mesmo – que rápida! – e fui aprovado! Isto é algo maravilhoso já que eu a minha experiência acadêmica com o design na PoliTO; apesar dos meus esforços, não tem sido uma das melhores.
 Deixando as burocracias de lado, passei 4 dias na famosa "Cidade eterna" sendo do dia 29 de dezembro ao dia 1° de janeiro. Usei o roteiro do Blog Rumo que conta com muitas dicas interessantes para turistar com esta quantidade de dias.
 As minhas primeiras paradas foram o Coliseu, junto ao Arco de Constantino e o Monte Palatino e estes são superpróximos entre si. O melhor deste dia foi o truque usado por mim e meus amigos: "furamos" a fila para entrar no Coliseu! Mas não foi realmente algo ilegal já que o segredo está em comprar os ingressos na bilheteria do Fórum Romano e do Paladino; além destes, vale para o Fórum Romano, Coliseu e também é possível reutilizá-lo no dia seguinte! Mas não poderá revisitar um mesmo ponto no dia seguinte.

Fórum Romano
 O Fórum Romano foi o centro da vida pública e comercial da Roma imperial – também conhecido como Forum Magnum – onde aconteciam cerimônias triunfais, eleições, discursos públicos, processos criminais e contava também com vários confrontos entre gladiadores. Atualmente se encontram muitas ruínas e escavações arqueológicas e o local já foi considerado o ponto de encontro mais conhecido do mundo em toda a história!

Piazza San Pietro

 No segundo dia (além do Castel Sant'Angelo) visitei a Piazza San Pietro* onde fica o Vaticano! Foi projetada por Bernini*, no século XVII, possuindo o estilo clássico mas com algumas adições do estilo barroco. O seu estilo clássico pode visto pela coluna que enfeita a entrada para a basílica que está envolvida por uma grande área oval; por outro lado, o  estilo barroco está representando no próprio espaço oval característico da praça e é um aspecto da contrarreforma. Dentro da basílica se encontra o Baldaquino da Basílica de São Pedro* – feito de bronze dourado – tendo as suas 4 grandes bases de mármore trabalhas em espirais e foi criado para o altar papal acima do Túmulo de São Pedro. Aqui se encontra um ótimo exemplo de toda a complexa energia barroca!

Baldaquino da Basílica de São Pedro
 O terceiro dia foi completamente movimentado e cheio de visitas às igrejas. Neste percurso, passei pela Basilica Santa Maria Sopra Minerva, Chiesa di Sant’Ignazio e Chiesa Santa Maria della Vittoria. Nesta última igreja se encontra a escultura de "O Êxtase de Santa Teresa"*; feita por Bernini entre 1647–1652 e é um marco do estilo barroco. A obra está em um nicho de mármore e bronze representando a experiência dívina de Santa Teresa de Ávila transpassada por uma seta por um anjo e sua beleza vem através do uso da iluminação e da fidelidade da escultura porque Bernini aplicava o uso de corpos alongados e de gestos expressivos. Além disto, foi uma ótima oportunidade de tirar uma foto ao lado desta incrível obra vestindo uma camiseta – que comprei muito tempo antes do intercâmbio – ilustrada a expressão facial da santa!

"O Êxtase de Santa Teresa", foto por Rodrigo Bastos.
 Também neste dia, conheci a famosa Fontana di Trevi e tive muita sorte porque foi reaberta há pouquíssimo tempo depois de ter sido reformada. É a maior e mais ambiciosa construção de fontes barrocas da Itália (com aproximadamente 26 metros de altura e 20 metros de largura) e foi construída em 1796. A fonte se encontrava no cruzamento de três estradas, marcando o ponto final do Acqua Vergine, um dos mais antigos aquedutos que abasteciam a cidade de Roma. No ano 19 a.C., supostamente ajudados por uma virgem, técnicos romanos localizaram uma fonte de água pura a pouco mais de 22 quilômetros da cidade e a cena é representada em escultura na própria fonte.

AQVAE VIRGINIS
O meu último dia em Roma se resumiu em visitar a Villa Borghese. Foi um ótimo dia porque não estava fazendo muito frio e fizemos um passeio de bicicleta com os amigos. Porém, como o desafio do 6 on 6 é escrever com 6 fotos, eu deixo um pouco de experiência deste dia no instagram, haha.

Até mais!

Memórias analógicas: Juice Camera & Kodak

http://www.fuuvi.com/products/juicecamera.html

 Coisas boas sempre voltam! Com isto, esta velha e querido tema volta com atualizações de alguns anos de atraso porque levei muito tempo para terminar alguns rolos; para publicar cada foto no meu flickr ou para digitalizá-los porque eu mesmo faço desde que comprei um escâner com suporte para digitalização de negativos (tenho de dizer que isto é bem trabalhoso!).
 Quando eu realmente pensei que já tivesse passado do momento certo de escrever sobre as boas experiências que estes rolos puderam me passar – vieram outros rolos de filme e assim o acúmulo era ainda maior – então notei que já tinha conteúdo do fim de 2013; do ano de 2014 e 2015 inteiros! Não poderia esperar ainda mais!

White streets; dark fields.
Rua São Francisco perdida em algum 2013.
Já inexistente

Começando pela a Juice Camera – que são toycameras com formato de caixinhas de suco – e a minha se chama Yum Yum Mjölk porque tem sabor de leite! Gosto muito dela porque por ter lente de plástico e me lembrar muito o resultado das fotos feitas com a Diana Mini/F+ (porém a Juice não tem opção de flash) e também porque involuntariamente já se consegue vários e suaves vazamentos de luz.  Essa pequena consegue trazer uma certa poesia visual às fotografias sem precisar de muitos esforços!
 As fotos se dividem entre fim de 2013 – quando comecei a fazer aulas de italiano aos sábados de manhã – e vários momentos de criatividade de 2014. Passar pela rua São Francisco de manhã para ir ao curso era algo que me motivava depois de ter acordado cedo e então eu não poderia deixar de registrar algum momento deste. Sem falar do restaurante chamado "O Brasilino" – que coloria a rua com o seu simples charme – mas que infelizmente fechou as portas e deu lugar a um pub de tamanho maior depois da rua se tornar muito popular.

Tutto è pieno di amore (solo non l'hai ancora ricevuto)
Minha querida irmã, Sabrina, servindo mais uma vez como modelo. <3
Reminiscência

 Com fotos que eu nem mesmo sabia que já tinha tirado há tanto tempo assim, eu trago as lembranças de uma manhã de julho de 2014 pelos arredores da minha rotina em Pinhais. Este ensaio foi uma ideia desejada pelo meu irmão para um projeto musical dele – chamado Leco London – mas reunir todos os integrantes com um horário nada convidativo não era uma tarefa assim tão rápida.
 Em um certo dia de domingo, depois de conseguir combinar com todos, acordamos com esforço às 7h30 e percorremos através as ruas do nosso bairro, ruas do município e terrenos próximos ao terminal de ônibus. Foi algo muito bom ver o frio e a neblina sumirem para que o sol pudesse tomar conta do dia. Com certeza foi uma manhã memorável e qualquer traço de sono não importava mais porque valeu muito a pena! Neste divertidos momentos, eu usei a Juice Camera e também a minha velha e guerreira Kodak KB10 para fazer aquelas duplas exposições que gosto tanto! <3

/ humble warmth of the sun /

(Emaranhar)

/doˈmenika/ /matˈtina/

"I miss the Village Green"

My baby doesn't care 'bout holidays

 E destes rolos de filme, a mais recente é do dia 1° de maio de 2015. Minha querida irmã, Sabrina, posa para as minhas analógicas lembranças e adoro fotografá-la! Foi um ótimo período porque já estava um tanto recuperado da minha cirurgia ortognática e porque adoro esses ensaios com a minha irmã (aliás, um beijo enorme! Sinto saudades!).

 Enfim, posso afirmar com felicidade que mais um filme está para ser terminado e neste vão aparecer lembranças de lugares que percorri neste intercâmbio!

Abraços!

[6 on 6] Luci d'Artista: Turim iluminada

A instalação "Piccoli Spiriti Blu" no Monte dei Cappuccini

 Turim está mais bonita e iluminada desde o fim de outubro até o dia 10 de janeiro. Qual é motivo de tudo isto? É o projeto Luci d'Artista ("Luzes dos Artistas") que traz projetos de instalações nas iluminações públicas nos tempos de festividades natalinas. Neste ano de 2015 que mal acabou – e que ainda deixa a sensação que não é 2016 para que nos confundamos ao falar – foram desenvolvidas 20 obras e emprestadas outras 2 da cidade de Salerno; o projeto nasceu em 1998 e conta com vários artistas italianos e também estrangeiros. É muito legal caminhar durante estas noites frias e admirar a beleza de cada uma delas porque faz de Turim um museu ao ar livre!

 A instalação que está no Monte dei Cappuccini (uma colina por volta de 283 metros onde se pode ter uma maravilhosa vista da cidade) é a chamada "Piccoli Spiriti Blu" ou "Pequenos Espíritos Azuis" e pela artista alemã Rebecca Horn. O que deixa a instalação ainda mais curiosa é que os pequenos círculos se entrelaçam com as névoas de inverno que saem do Rio Pó; deixando as formas esfumaçadas para que finalmente virem estes pequenos espíritos sobre nossas cabeças.


  As constelações e planetas mostram as suas formas pelas ruas mais movimentadas do centro com "Planetario" na famosa Via Roma – onde tem várias das famosas grifes e demais lojas como H&M, Zara e Apple Store – feita por Carmelo Giamello e "Palomar" feita por Giulio Paolini e está na Via Po. É muito gostoso de se caminhar no fim da tarde de encontrar essas estrelas combinando com as cores do céu!

"Luì e l’arte di andare nel bosco" na Via Garibaldi (foto por Rodrigo Bastos)

"Volo Su..." de Francesco Casorati na Via Pietro Mica e também na Via Cernaia (foto por Rodrigo Bastos)

"My Noon" de Tobias Rehberger na Piazza Palazzo di Città (foto por Rodrigo Bastos)
 Outra rua movimentada pelas suas lojas, artistas de rua e também tendas de artesanato é a Via Garibaldi e por lá se encontra da instalação "Luì e l’arte di andare nel bosco" do artista Luigi Mainolfi e conta a história de um livro do mesmo nome do qual o personagem – Luì Il Matto (Luì, o louco")  – consegue encontrar uma criança perdida no Bosque Silencioso e durante sua aventura aprende a língua das formas, dos sons, do silêncio e das cores! A história é uma metáfora sobre a arte como forma de segurança e refúgio; é um incentivo a explorar às paisagens e o seu potencial sensorial!
 Os pássaros decorando a cidade com fitas vermelhas é a obra "Volo Su..." criada por Francesco Casorati; e como descreve o título, é um belo "voo sobre" a cidade porque ao se ver de longe, os passarinhos parecem ter um suave movimento que os faz parecer que estão percorrendo por todas as ruas. Por último, "My Noon"; do artista alemão Tobias Rehberger, está na Piazza Palazzo di Città onde se encontra a sede do município de Turim; também se pensa que já tenha hospedado o fórum romano e na idade média era a praça mais importante da cidade porque ali se encontrava o mercado; com duas divisões chamadas de Piazze delle Erbe ou Praça das Erva (destinada para vender hortaliças) e a Piazza del Grano ou Praça do Grão (para vender grãos).

  Como o projeto tem sua edição a cada ano, este é um bom motivo para caminhar e conhecer ainda mais a cidade nos tempos natalinos.

 Espero que tenham gostado! :)